27 de set. de 2009

Gênero Humano, artigo do Deputado Federal Dr. Rosinha


Vim viver em Curitiba no início de 1969. Anos duros de ditadura, mas eu não sabia. Não sabia o que era uma ditadura. Vim do sítio direto para a capital, e aqui eu era o verdadeiro capiau. Tudo novidade e tudo obscuro. Tudo curiosidade e medo. Tudo esperança e preocupação: e se não der certo? Vim morar na Rua Riachuelo. Era o único local possível de se morar com pouco dinheiro. A noite na Riachuelo, para um capiau como eu, era tomada de assombro, curiosidade e o cheiro de sexo das prostitutas que por lá vagavam. Também andavam por lá alguns gays.


Fui morar numa pensão onde, algum tempo depois, conheci um gay. Um bancário que trabalhava no Bradesco. Na mesma pensão, morava também um estudante vindo do interior que só saía com gays. Era um homossexual e negava. Era tudo enrustido, tudo oprimido. Era a ditadura.
Ambos, capiaus e homossexuais, éramos rejeitados pela sociedade curitibana. Excluídos, construíamos nossos próprios habitats, mundos, vidas. Os capiaus, com muito estudo e esforço, iam individualmente e aos poucos se inserindo na sociedade. Através do trabalho e de casamentos, conquistaram seus espaços sociais.



A comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) continua na árdua batalha da afirmação: sou gênero humano, mereço respeito e tenho direitos.



De início, alguns poucos se autoidentificam como homossexuais. Hoje, já organizados em várias ONGs, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais lutam por dignidade. E um importante ato político é a Parada da Diversidade, que une milhares de pessoas em vários cantos do mundo.
A importância política de atos como esse é demonstrada pelo próprio tema que abordam. O tema da edição deste ano da Parada da Diversidade em Curitiba (”Seus direitos, nossos direitos, direitos humanos”) deixa claro pelo que clamam.



Clamam pelo direito de inclusão e de identidade social e pelo fim do preconceito. São homens e mulheres que têm direito à identidade e não ao tratamento pejorativo de “viado” ou “sapatão”, como usualmente são chamados e chamadas.



As paradas da diversidade servem para pôr a cara pra fora, dar o grito de identidade e mostrar à sociedade que, na rua, caminha mais um filho seu que quer paz, liberdade e justiça. Por isso, também pedem “o fim da violência e da impunidade”.



Assim como os capiaus, as pessoas LGBT conquistarão seus direitos, se libertarão da ditadura da sociedade e construirão a sua identidade e visibilidade.



Sair da opressão da noite, para o sol da igualdade. Por isso lutamos.



Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal e coordenador da Frente Parlamentar LGBT na região Sul do país.

http://www.drrosinha.com.br/



[*] Artigo publicado no jornal da Parada da Diversidade de Curitiba, que acontece no próximo dia 27 de setembro de 2009.

Foto: Joka Madruga

14 de set. de 2009

“A Modernidade em Construção – Políticas públicas e produção de música popular em Curitiba – 1971 a 1983.”



Músico desvenda os caminhos e descaminhos da produção musical curitibana


“Por que nós não temos nenhum nome curitibano no cenário da música popular brasileira?” Esta inquietação foi o motivo que levou o músico e historiador Ulisses Galetto a escrever o livro "A Modernidade em Construção – Políticas públicas e produção de música popular em Curitiba – 1971 a 1983.” Fruto das suas pesquisas realizadas durante o Mestrado em História pela Universidade Federal do Paraná, Ulisses Galetto analisa as políticas públicas para cultura em Curitiba, desenvolvidas de 1971 a 1983, com a missão de desvendar os caminhos e descaminhos do que muita gente chama do “anonimato da produção cultural curitibana”. A justificativa do recorte temporal se dá por que em 1971 é implementado o 1º Plano Diretor de Curitiba pelo então prefeito Jaime Lerner. No decorrer dos anos até 1983, as mudanças na cidade e por conseqüência o que se fez pela cultura sofreram impacto direto da organização do Plano Diretor. Ulisses destaca a “era lernista” como a fase propriamente dita da “modernidade em construção para a cultura”, pois é desta época 80 % dos equipamentos públicos que até hoje dão espaço para o que é produzido na cidade. Solar do barão, Casa da memória, Teatro Paiol e o Centro de Criatividade são alguns exemplos. Para a música, ele destaca o incentivo do poder público ao Movimento de Atuação Paiol, o grupo MAPA, como também a construção da Camerata Antiqua e patrocínio de discos, como o “Curitiba, Cidade da Gente” – que contava a historia da cidade através de musicas. “Nesta época, a Prefeitura resolveu literalmente por a mão na massa. A construção dos espaços públicos foi desenhando aos poucos a política municipal de cultura e as produções culturais foram se revelando no cenário local.” explica Galetto.

Porém, é pelo viés da tal modernidade, que o livro desvenda uma das partes do mistério do anonimato. Para o autor, Curitiba perdeu o bonde da modernidade. “Historicamente, o Brasil em relação a todo o resto do mundo acertou seus ponteiros com a modernidade apenas na década de 60. Curitiba perdeu o bonde e foi acertar os ponteiros com o Brasil apenas no final da década de 70. Por este motivo, enquanto no Rio e São Paulo a indústria fonográfica já estava a todo vapor, a produção curitibana não tinha infra estrutura técnica para se encaixar.” explica. Mas, segundo Ulisses, atualmente “estes motivos não valem mais. Hoje são outros, como por exemplo, a mania que temos como artistas de achar que o poder púbico, as empresas é que tem culpa ou que deveriam fazer mais pela produção artística. O caminho não é por ai.”

Lei Municipal de Incentivo a Cultura – avanço para produção cultural

De lá para cá, muita coisa mudou e Ulisses é taxativo ao escolher a criação da Lei Municipal de Incentivo a Cultura como marco do avanço na história da produção cultural curitibana. “Criada ao final da década de 80, por iniciativa do então Vereador Ângelo Vanhoni, a lei municipal de incentivo a cultura é um marco nesta história. A produção quantitativa e por conseqüência a qualitativa na produção musical em Curitiba, se divide em antes e depois da lei. O que nós estamos fazendo com ela agora é outro assunto, que deve ser debatido nos fóruns. Mas, sem sobra de duvida, se existe algo que possa apontar para o futuro como política publica se chama de lei de incentivo a cultura.” conclui Ulisses Galetto.


Foto: Gilson Camargo - www.vanhoni.wordpress.com

Matéria: Ana Carolina Caldas

10 de set. de 2009

CURITIBA: Filme GARAPA marca a Campanha “Alimentação: Direito de Todos”


O evento que marca Campanha Nacional “Alimentação: Direito de Todos, pela aprovação da PEC 047/2003” no Estado do Paraná, contará com a presença de José Padilha, diretor do filme Garapa, do diretor do Ibase, Francisco Menezes e do Deputado Nazareno Fonteles, presidente da Frente Parlamentar Nacional pela Segurança Alimentar e Nutricional

Neste próximo dia 14, será exibido em Curitiba, o documentário GARAPA, do diretor José Padilha, seguido de debate sobre o tema com as entidades e instituições que integram a Campanha Nacional “Alimentação: Direito de Todos” no Paraná.. A iniciativa da campanha é do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) e tem como principal objetivo a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 047/2003, que tramita no Congresso Federal e que regulamenta a inclusão do direito à alimentação entre os direitos sociais estabelecidos no Artigo 6º da Constituição Federal.

O evento em Curitiba é organizado pelo Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, Itaipu Binacional, Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional e pela Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná, tendo o apoio de instituições da sociedade civil e do governo.

Segundo os organizadores do evento e integrantes das entidades que lutam pelo direito a alimentação, a campanha pela aprovação da PEC quer não só sensibilizar os parlamentares, mas também contar com o apoio da população. “Incluir a alimentação adequada e saudável no campo dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição, é uma forma de tratar o problema da fome como questão de Estado e não de governo, além de fortalecer as políticas se segurança alimentar e nutricional no Brasil. “ explica Silvia Rigon, presidente do CONSEA-PR
A campanha se baseia também nos pactos e tratados internacionais que asseguram o compromisso dos países este direito básico. A garantia do direito humano à alimentação está expressa em vários tratados internacionais, ratificados pelo governo brasileiro, incluindo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1966, e a Cúpula Mundial de Alimentação, de 1996. Nos referidos pactos, os chefes de Estado reafirmaram “o direito de toda a pessoa a ter acesso a alimentos seguros e nutritivos, em consonância com o direito à alimentação adequada e com o direito fundamental de toda pessoa de estar livre da fome”.

A campanha também recebeu o apoio de artistas que integram a ONG Movimento Humanos Direitos. Um comercial de 30 segundos já está sendo veiculado, onde artistas como Dira Paes, Bete Mendes, Maria Zilda, Leonardo Vieira, Camila Pitanga, Gilberto Miranda, Eduardo Tornaghi e Cristina Pereira pedem aos deputados que aprovem a PEC.

Estarão presentes para participar do debate o cineasta José Padilha, Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) e integrante do CONSEA nacional, Deputado Nazareno Fonteles, presidente da Frente Parlamentar Nacional pela Segurança Alimentar e Nutricional, Valter Bianchini, Secretário de Estado da Agricultura, Deputada Luciana Rafagnin, Presidente da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná e Silvia Rigon, presidente do Conselho Estadual de Segurança ALimentar e Nutricional do Paraná (CONSEA-PR).


No dia 14/09 a exibição ocorrerá no Auditório do Museu Oscar Niemeyer, às 19:30h e no dia 15/09, em Foz do Iguaçu, no Centro de Recepção de Visitantes da Itaipu Binacional, no mesmo horário.


GARAPA


O filme GARAPA tematiza o direito a alimentação com a preocupação de impactar o público no sentido real do que se entende por insegurança alimentar. Ao pensar no roteiro, o diretor do filme José Padilha visitou o Ibase , fundado pelo sociólogo Herbert de Souza em 1981, onde conheceu Francisco Menezes, um dos diretores do instituto, de quem ficou amigo. Ao entrar em contato com uma questão tão delicada e complexa, o cineasta achou que seria fundamental fornecer um ponto de vista alternativo à forma distanciada como o assunto costuma ser tratado na grande mídia. Para Padilha, “geralmente, os meios de comunicação discutem a questão a partir de uma perspectiva macroscópica, debatendo as causas ambientais, geográficas, econômicas e políticas da fome. Embora este debate seja fundamental, continuamos, no entanto, sem saber como é a vida das pessoas que passam fome. Para que se compreenda o real significado do problema, é necessário conhecê-lo de perto.” O filme é fruto de mais de 45 horas de material filmado por uma pequena equipe que, durante quatro semanas, acompanhou o cotidiano de três famílias no estado do Ceará. À frente dessas famílias estão Rosa, Robertina e Lúcia – mulheres que, diante das condições mais adversas buscam estratégias de sobrevivência.

Para participar é necessário se inscrever no site http://www.consea.pr.gov.br/. A entrada será 1kg de alimentos não perecíveis.


Serviço


Lançamento da Campanha “Alimentação: Direito de Todos, pela aprovação da PEC 047/2003”

Exibição e Debate sobre o filme “Garapa”, de José Padilha

Dia 14 de setembro – segunda feira – as 19h30h - Auditório do Museu Oscar Niemeyer - Curitiba
Dia 15 de setembro - terça-feira - as 19:30h - Centro de Recepção de Visitantes da Itaipu Binacional - Foz do Iguaçu

Assessoria de imprensa do evento : Ana Carolina Caldas

31 de ago. de 2009

Você já ouviu falar do MUPE, o Museu da Periferia?


Clique aqui para conferir a reportagem sobre o Museu da Periferia.




Museu da Periferia do Sitio Cercado recebe oficina ministrada pelo Ibram

Moradores do Sitio Cercado participam nestes dias 02 e 03 da Oficina “Museu, Memória e Cidadania”, ministrada pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus.) A oficina tem por objetivo a instalação de um Ponto de Memória em Curitiba, que dará subsidio para a continuidade da organização do Museu da Periferia, o MUPE. A instalação dos pontos de memória faz parte de um projeto piloto, articulado entre o Ministério da Justiça (pelo Pronasci) e o Minitério da Cultura. A meta é chegar a várias cidades brasileiras, entre elas: Curitiba, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Brasília, Belém, Porto Alegre, São Paulo e Vitória.


Você já ouviu falar no MUPE, o Museu da Periferia? Ele vem sendo organizado por moradores do bairro Sitio Cercado desde abril deste ano. A idéia foi incentivada pelo deputado federal Ângelo Vanhoni, depois de conhecer a experiência dos Pontos de Memória, que também podem ser denominados como “museus comunitários ou museus sociais”. Tratam-se dos novos projetos museológicos concebidos pelo IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus. Alguns dos exemplos inspiradores para o que surge em Curitiba são os que já acontecem nas comunidades dos morros do Rio de Janeiro: o Museu da Maré (na Favela da Maré) e o MUF – Museu da Favela, (no Morro do Cantagalo). Em Curitiba, o Ponto de Memória receberá recursos da articulação entre o Ministério da Justiça, pelo Pronasci (Programa Nacional de Justiça com Cidadania) e o Ministério da Cultura, pelo Ibram. O objetivo desta articulação é implantar os pontos de memória em regiões caracterizadas pelo alto índice de violência, e por este motivo o bairro Sítio Cercado foi escolhido. O Ponto de Memória, dentre as várias funções, quer resgatar a auto estima da comunidade, através da reconstrução da memória social e coletiva, a partir do cidadão, de suas origens, suas histórias e seus valores.


Começo da história

Entidades, associação de moradores e artistas receberam a idéia positivamente e em abril, a ACNAP (Associação Cultural de Negritude e Ação Popular), no Sítio Cercado, recebeu a visita de contadores de histórias do Rio de Janeiro, articulados ao Museu da Maré e ao Museu de Favela – MUF para uma troca de experiências sobre a implantação dos Pontos de Memória em suas comunidades. Já em maio foi realizada uma reunião com os interessados no bairro em organizar a proposta para a criação do Ponto de Memória. Além da escolha do nome “Museu da Periferia”, o encontro também resultou numa lista de assinaturas solicitando a oficina de museologia ao IBRAM. (confira aqui o relato de um dos moradores sobre as primeiras famílias do bairro)

Oficina



Museu, Memória e Cidadania




Nesta semana, a Oficina reivindicada chega até eles. Mário Chagas, diretor do Departamento de Processos Museais do Ibram, estará na Associação Nossa Senhora da Luta, no Sitio Cercado, para ministrar a oficina “Museu, Memória e Cidadania”. Segundo Mário Chagas, “é uma oficina que tem o sentido de mobilização e sensibilização dos participantes para a temática do museu compreendido como uma tecnologia social e a idéia de um museu cooperativo. A oficina tem esse sentido, trabalhar a temática museu e trabalhar a memória também na perspectiva da criação. Não há criatividade sem memória. A memória como uma possibilidade também de futuro. Pela memória criamos novas utopias, novos futuros e finalmente a idéia de cidadania. Tanto o museu como a memória são direitos do cidadão. Os moradores do Sítio Cercado têm direito não só a visitar os museus existentes no Paraná, no Brasil e também fora do Brasil, mais ainda, tem direito de fazer o seu próprio museu.”













Intercâmbio cultural entre os moradores do Sitio Cercado e artistas dos morros do Rio de Janeiro - sobre este dia clique aqui













Serviço
Oficina “Museu, Memória e Cidadania” ministrada pelo Ibram
Quando: Dias 02 e 03, a partir das 19 horas
Onde: Associação Nossa Senhora da Luta – Sitio Cercado






As inscrições para a oficina são limitadas. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail em museudeperiferia.mupe@gmail.com. Acesse também o blog do MUPE: http://www.mupe.wordpress.com/

11 de ago. de 2009

Entrevista com Ministro da Cultura - Juca Ferreira


Olá!


Entrevistei o Ministro da Cultura Juca Ferreira. Com exclusividade ele antecipou novidades do novo texto da Lei Rouanet, falou sobre o Vale Cultura e a importância das Conferências de Comunicação e de Cultura. A entrevista está publicada na íntegra no blog http://www.vanhoni.wordpress.com/ E o áudio, clique aqui:


Confira alguns trechos da entrevista:


Sobre as mudanças na política cultural brasileira


"Quando nós chegamos em 2003 no Ministério ficamos surpresos e perplexos com a desorganização, a desestruturação e a fragilidade da área cultural no governo. O Ministério não tinha relevância, não estava a altura da grandeza da cultura brasileira, da diversidade cultural brasileira, não conseguia lidar com os principais aspectos dos processos culturais, ou seja, não dava nenhuma contribuição e o pior de tudo é que foi construído um mito que tem origem em toda essa afirmação de uma ideologia neoliberal no mundo, de que o estado não tinha papel na cultura. O grande slogan que nós encontramos aqui era “Cultura é um bom negócio”, e a idéia era repassar a responsabilidade do desenvolvimento cultural para a área privada, então nós começamos um processo longo. Já no discurso de posse do ministro Gil, ele afirmou que interessava ao Ministério toda a produção simbólica brasileira, que cultura não é só arte, muito menos arte consagrada, e que nós teríamos uma responsabilidade imensa de montar relações do Ministério com todo o corpo simbólico do país.(...)" Continua, clica aqui



Sobre o Vale Cultura


"O Brasil não consegue incorporar em nenhuma das atividades culturais, excluindo apenas a tv aberta, nem 20% dos brasileiros. Um pouco mais de 5% dos brasileiros entrou alguma vez num museu. Então não há possibilidade de você ficar financiando a produção cultural se o povo não tem acesso. É preciso, além de financiar a produção cultural, estimular esta produção. A gente tem que abrir as portas dos teatros, dos cinemas, criar possibilidades das pessoas terem acesso a livros. Nós estamos agora zerando, até o final do ano, o número de municípios sem bibliotecas no Brasil. Esse processo está criando vários mecanismos: financiamento direto à produção cultural popular, estímulos a barateamento dos custos dos produtos culturais que nós financiamos.Criamos um instrumento agora, o Vale Cultura. É a primeira vez no Brasil que se financia o consumo cultural. Este mecanismo, quando estiver em uso pleno, vai beneficiar em torno de 14 milhões de pessoas, vai disponibilizar o consumo cultural para esse número de brasileiros." Continua, clica aqui



Sobre a Lei Rouanet


"O projeto já saiu do Ministério e está na mão da Casa Civil. Eles fazem este trabalho de revisão sempre, porque é uma lei que vai ser enviada ao Congresso. As novidades são, basicamente, que nós não vamos mais ficar dependendo da renúncia fiscal, que é um mecanismo que não se presta para atender a toda a cultura brasileira. O Fundo Nacional de Cultura vai se tornar o principal instrumento. Nós vamos modernizar o Fundo, setorializá-lo. O Vale Cultura é parte da reforma, é um outro mecanismo que a gente está criando. Vamos fortalecer os fundos privados, que existem há 18 anos e ainda nenhum aconteceu, estamos criando vantagens para a ampliação destes fundos. Que estes fundos etimulam o investimento privado e o financiam, e a renúncia fiscal, que nós vamos manter, mas, vamos reformatar para virar uma verdadeira parceria publico/privada. Porque como é hoje o Governo entra com o dinheiro, se responsabiliza por todos os procedimentos burocráticos e quem decide o que deverá ser financiado é a área privada. Então esta é uma divisão injusta e ruim. Você permite a privatização do dinheiro público, permite o excesso de concentração. Por exemplo, 80% do dinheiro vai para duas cidades no Brasil: Rio de Janeiro e São Paulo, e dentro destas duas cidades, apenas 3% dos proponentes ficam com mais da metade do dinheiro da Lei Rouanet. Quer dizer, é um escândalo! É falta de controle do dinheiro público, é privatização do dinheiro público e não cumpre a finalidade que é a de irrigar e fortalecer a produção cultural brasileira."



Foto: Gilson Camargo




Para ler a entrevista na íntegra clica aqui