26 de mai de 2011

Um convite para conhecer “As Marés”, de Yara Sarmento



O livro, lançado em abril de 2011, já está à venda nas Livrarias Curitiba


“As Marés”, obra escrita pela atriz Yara Sarmento, é uma coletânea de contos, reflexões, peças teatrais, roteiros pra vídeos e curta-metragens e textos que funcionam como pontes entre a autobiografia da atriz e capítulos importantes da história da cultura paranaense.

De acordo com a autora, os temas abordados fazem parte do cotidiano. “Pretendo, com meus enfoques, levantar questões para conversa. Da conversa, quem sabe, à reflexão. Da reflexão, às ações que podem iluminar nossas vidas, e daqueles que estão ao nosso lado”, diz.


O livro não contou com recursos de leis de incentivo fiscal. É uma publicação independente. Nas palavras de Yara, “A independência nos permite não fazer contemporizações”.


Quem é Yara Sarmento

Yara tem uma extensa biografia. Ela estreou na década de 1960 como atriz na TV Paraná, no programa “Colégio de Brotos”, dirigido por Sinval Martins. Trabalhou no programa “Teatro de Equipe”, dirigido por Glauco Flores de Sá Britto, onde faziam parte do elenco: Lala Schneider, Claudete Barone, Irene Moraes, Aristeu Berger, Joel de Oliveira e Luiz Hilário, entre outros. Participou também do humorístico “Telstar Festival” da TV Paraná, dirigido por Maurício Távora.


Foi bailarina de dança espanhola com a professora Barbara Grand, e fez parte do programa “Big Gincana Duchen” apresentado por Acidália Chen. Foi a primeira-bailarina do programa “Portais de Operetas”, dirigido por Cícero Camargo de Oliveira na TV Paranaense.

Em 1964, já conhecida no Paraná, Yara ruma para o Rio e São Paulo, onde trabalha em teatro e nos teleteatros da TV Tupi. Nas novelas da TV Globo, contracena com atores consagrados como Marília Pera, Leila Diniz e Gracindo Junior até 1971. Foi vedete no show Carlos Machado Holiday. De volta a Curitiba, fez teatro com Oraci Gemba e tevê com Roberto Menghini.

Yara Sarmento é também conhecida pela sua atuação política em defesa da classe artística, participando, por exemplo, da equipe paranaense que elaborou o ante-projeto da Lei 6.533/1978, que regulamenta a Profissão de Artista e Técnico em Espetáculos de Diversões - além de ter sido uma das fundadoras, em 1981, do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado do Paraná – SATED/PR.

De 1971 a 1990, participou da elaboração das leis municipal e estadual de incentivo à cultura. Trabalhou na Assembleia Geral Constituinte representando trabalhadores, artistas e produtores de artes e cultura, entre 1987 e 88.


A obra

“As Marés” é uma costura encantadora entre suas peças teatrais, suas reflexões políticas e artísticas, memórias e um pouco da filosofia inteligente de Yara Sarmento.


A obra traz textos de "Deliciosa Cênicas", espetáculo teatral concebido pela atriz junto a outros grandes nomes femininos do teatro paranaense: Odelair Rodrigues, Gilda Elisa, Regina Vogue e Claudete Pereira Jorge. O texto, que seria editado pelo diretor e ator Enéas Lour, não chegou a ser encenado por falta de recursos. "As Marés" tem também trechos do blog "Sobre e Para Yara Sarmento”, editado por Beatriz Lanza em 2007 e destinado ao acervo do Centro Cultural Teatro Guaíra. Há também partes de "Na Espuma das Ondas", livro digital lançado em 2009.


O livro tem textos inéditos - resultados de reflexões, viagens pelo mundo, de sua grande admiração pelas culturas egípcia e greco-romana, sem esquecer Shakespeare e passagens bíblicas - e memórias de momentos e pessoas marcantes.


Como se revela em “As Marés”, Yara é protagonista ou coadjuvante de momentos importantes da cultura brasileira. É, ela mesma, portanto, um grande personagem.


Seja como atriz, ou como batalhadora das causas do teatro; como bailarina e vedete, ou como a belíssima atriz, amiga pessoal de Leila Diniz; como figura ativa na implantação do primeiro curso superior de Artes Cênicas no Paraná e em outras iniciativas pela profissionalização da classe teatral, ou como voz feminina, política, militante sindicalista e feminista de pés no chão - entre tantos outros papéis, dentro e fora do palco.

“As Marés" nos traz a oportunidade de viajar pelo mundo de Yara. Que é vasto e emocionante. Navegar pelas ondas de Yara Sarmento, com o privilégio de correr os olhos por belos textos, é uma viagem e tanto.

“De todas as artes, a mais extraordinária é a que nos desnuda, na felicidade ou no sofrimento; a que nos impulsiona pro mar de espinhos ou pro campo de cravos”. Yara Sarmento

Serviço:

“As Marés”, de Yara Sarmento

R$ 25,00 nas Livrarias Curitiba

Publicação independente de 2011

Curitiba/PR
240 páginas

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Assessoria de imprensa:

Ana Carolina Caldas (41) 92114915

Bia Moraes (41) 9655 6116

16 de mai de 2011

CULTURA É CRIME: Prefeitura agradece os 12 anos de Beto Batata com truculência policial

Truculência policial expulsa freqüentadores do Beto Batata. Motivo: a música

Mais uma vez o Robert Amorim, proprietário do espaço Cultural Beto Batata, neste último sábado fez como todos os dias: abriu suas portas para oferecer ao público curitibano diversidade e qualidade cultural. Além da boa música, o Espaço Cultural Beto Batata realiza exposições fotográficas, lançamentos de livros, recitais, entre outros, sempre garantindo espaço para a arte local. Ele emprega mais de 60 pessoas, entre funcionários e músicos. No ano passado, a espaço foi usado para atrações da Virada Cultural, evento organizado pela prefeitura de Curitiba. Porém, às vésperas de completar 12 anos de incentivo à cultura curitibana, recebeu um presente no mínimo curioso: A mesma Prefeitura que usou seu espaço ( tanto para Virada Cultural como para Oficina de Música), lhe preparou uma surpresa: 15 viaturas policiais chegaram no estabelecimento, policiais militares entraram no local, notificaram o proprietário. Motivo: a música. Esta mesma música que serviu bem à Prefeitura no ano passado foi o motivo para o filme de terror que se desenrolou nos minutos após. Robert Amorim relata que no momento que a polícia chegou, havia em torno de 150 clientes no local, entre eles crianças e idosos. “A ação feriu o direito constitucional”, disse ele. As pessoas foram retiradas em meio à chuva. Para Amorim, foi uma arbitrariedade. Além dos presentes, acontecia no bar um aniversário de 15 anos. Talvez a aniversariante não tenha gostado também do presente. As mesmas 15 viaturas que fiscalizavam o barulho saíram com as sirenes ligadas, terminando o “espetáculo”. A ação foi realizada pela AIFU – Ação Integrada de Fiscalização Urbana, formada pela Polícia Militar e Guarda Municipal.

Na tarde deste domingo vários artistas e músicos que já usaram o espaço para apresentar seu trabalho foram até o bar realizar uma manifestação contra a truculência da polícia militar. Os artistas pedem retratação por parte da Prefeitura.

A pergunta que se faz é: Para a Virada Cultural, evento organizado pela Prefeitura, o espaço servia? A cultura de Curitiba foi tratada como um crime neste sábado, dia 14 de maio de 2011.

Os: Uma das ultimas novidades do Beto Batata é um espaço voltado para arte infantil. Espero que as crianças que desde cedo estão desfrutando deste espaço, não presenciem mais atos como este. Que as crianças possam ser felizes no Beto Batata! E que elas aprendam que ser feliz é seu direito e ninguém pode desrespeitá-lo. Que as crianças que já inventam suas mirabolantes obras de arte com sucatas, tinta e pincel lá no Beto Batata possam continuar freqüentando este espaço que é patrimônio da cidade.

Ana Carolina Caldas, jornalista, mestra em História e pedagoga. Frequentadora há uns bons anos do Espaço Cultural Beto Batata.